{"id":1417,"date":"2020-03-27T21:25:10","date_gmt":"2020-03-27T21:25:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pareto.rio.br\/geda\/?p=1417"},"modified":"2020-03-28T00:31:26","modified_gmt":"2020-03-28T00:31:26","slug":"a-covid-19-e-a-revisao-contratual","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pareto.rio.br\/geda\/conteudo\/a-covid-19-e-a-revisao-contratual\/","title":{"rendered":"A COVID-19 e a Revis\u00e3o Contratual"},"content":{"rendered":"\n<p>As rea\u00e7\u00f5es \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19) v\u00eam causando importantes impactos na execu\u00e7\u00e3o de contratos comerciais, banc\u00e1rios e societ\u00e1rios. A atual conjuntura de isolamento social, fechamento for\u00e7ado de estabelecimentos e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e servi\u00e7os, alterou de forma substancial o equil\u00edbrio entre as partes contratantes em diversos tipos de contratos, muitas vezes inviabilizando o seu cumprimento por uma das partes.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, a revis\u00e3o contratual, seja com base na teoria da imprevis\u00e3o (onerosidade excessiva) ou na teoria da for\u00e7a maior (<em>force majeure<\/em>), pode ser a \u00fanica alternativa para a manuten\u00e7\u00e3o de in\u00fameras rela\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cios no Brasil e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Civil Brasileiro expressamente exclui a responsabilidade por preju\u00edzos resultantes de um caso de for\u00e7a maior (art. 393), cuja aplicabilidade, segundo a doutrina e jurisprud\u00eancia, depende da ocorr\u00eancia de um fato n\u00e3o atribu\u00edvel a qualquer dos contratantes, que n\u00e3o poderia ser previsto e que esteja al\u00e9m do controle das partes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os contratos podem ser revisados judicialmente caso sobre uma das partes recaia onerosidade excessiva e imprevis\u00edvel (arts. 317, 478, 479 e 480). Essa possibilidade \u00e9 baseada na teoria da imprevis\u00e3o, que justifica a revis\u00e3o judicial dos contratos mediante a ocorr\u00eancia de eventos alheios \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es pactuadas, que n\u00e3o poderiam ser previstos pelas partes no momento da contrata\u00e7\u00e3o e que afetam o equil\u00edbrio das presta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse respeito, vale mencionar a Lei de Liberdade Econ\u00f4mica (Lei n\u00ba 13.874\/19), rec\u00e9m introduzida no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, que, dentre outras coisas, estabeleceu a presun\u00e7\u00e3o de paridade e simetria das partes em contratos civis e empresariais e a garantia de que a aloca\u00e7\u00e3o de riscos definida pelas partes ser\u00e1 respeitada, bem como a ideia de que a revis\u00e3o judicial de contratos somente poder\u00e1 ocorrer de maneira excepcional e limitada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante mencionar que a revis\u00e3o judicial de contratos no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de consumo \u00e9 muito facilitada em fun\u00e7\u00e3o do disposto no artigo 6\u00ba, V, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor. Esse dispositivo permite a revis\u00e3o de cl\u00e1usulas contratuais em raz\u00e3o de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. Neste caso, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que os fatos supervenientes sejam imprevis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da possibilidade, em alguns casos, de revis\u00e3o judicial dos contratos, a boa pr\u00e1tica comercial tende a favorecer revis\u00f5es consensuais e de boa-f\u00e9 de cl\u00e1usulas e condi\u00e7\u00f5es contratuais, com vistas a garantir a manuten\u00e7\u00e3o e o prolongamento da rela\u00e7\u00e3o comercial no tempo. Isso \u00e9 especialmente verdadeiro no caso da pandemia do novo coronav\u00edrus, cujos desdobramentos, que hoje impedem ou tornam excessivamente oneroso o cumprimento de algumas obriga\u00e7\u00f5es, s\u00e3o tempor\u00e1rios.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As rea\u00e7\u00f5es \u00e0 pandemia do novo coronav\u00edrus (Covid-19) v\u00eam causando importantes impactos na execu\u00e7\u00e3o de contratos comerciais, banc\u00e1rios e societ\u00e1rios. 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